Sinopse: Seis desaparecimentos inexplicáveis. Um garoto inocente. Uma garota tímida. Uma paixão avassaladora. Cabelos vermelhos. Rosas brancas. Uma morte. Ou seria... mais uma morte?
Categoria: Originais
Gênero: Darkfic, Songfic, Tragédia
Disclaimers: O títuto e a letra da música pertencem à banda X Japan - Rose of Pain.
Data: dezembro de 2006
Palavras:
Alertas: Violência explícita.
- caminho para a escola.
Why are you scared?
What have you seen?
In the castle with the silent roses
I ask again and again
Por que você está assustada?
O que você viu?
No castelo com as rosas silenciosas
Eu te pergunto de novo e de novo
— Você está bem, Yoko..?
Lá fora, chovia uma triste chuva de resignação. As lágrimas que rolavam pelo rosto da menina seguiam o mesmo ritmo melancólico, mesclando-se com seus fios de cabelo muito vermelhos.
— Por que você está triste?
Why are you sad?
What pain are you feeling?
Oh, I ask of the rose with its petals of blood
But the rose of blood can’t answer me till the end
Por que você está triste?
Que dor você está sentindo?
Oh, eu pergunto da rosa com suas pétalas de sangue
Mas a rosa de sangue não pode me responder até o fim
Dentro da sala de aula A26A, os alunos evitavam o contato visual com Yoko. Quando isso não era possível, eles cumprimentavam à distância, numa calada timidez. Ninguém tinha achado as palavras certas para lhe dirigir. Ninguém sabia como lidar com aquela situação delicada. Kazuo saberia. Mas Kazuo...
Toshi pousou a mão levemente em um dos seus ombros e afastou os cabelos muito vermelhos da garota. Tudo o que fez foi olhá-lo, fitá-lo tristemente com o negrume de seus olhos. Contudo, seus lábios não formaram uma palavra sequer.
— Quando Kazuo voltar, ele vai querer te ver com um sorriso no rosto. Por isso, por favor, não chore.
Mas era inevitável. Lágrimas rolavam pelo seu rosto pálido como pérolas na areia branca. Apesar de tudo, o consolo do amigo não era verdadeiro; ela sabia, no fundo do coração, que seu namorado jamais voltaria ao seu lado. Sabia disso antes mesmo que as autoridades o tivessem considerado como morto, após um mês de desaparecimento sem pistas. Kazuo era apenas mais uma vítima dos raptos inexplicáveis que vinham acontecendo naquela pequena região do Japão.
— Yoko —
O sinal bateu.
— Não perca a esperança.
O professor entrou. Toshi voltou para sua carteira, sabendo que não conseguiria prestar atenção na aula. Yoko cruzou os braços entre sua blusa de frio e dormiu.
— Yoko...
Todos os dias suspirava durante todas as aulas, até que finalmente fossem dispensados. E todas as tardes, o garoto a acompanhava até sua casa, uma construção modesta num bairro distante dali. Foram assim todos os trinta e um dias do mês de março. Em nenhum deles, foi mantida uma conversa entre os dois.
Quando começou abril, as coisas ficaram diferentes. Dia primeiro.
— Não pense que eu esqueci — começou Toshi, a caminho da casa da amiga — que hoje é seu aniversário. Parabéns.
Ele lhe estendeu um embrulho, bonito e bem arrumado. Yoko desviou o olhar da calçada de cimento e voltou-se ao pequeno presente nas mãos do rapaz. Seus olhos brilharam, pela primeira vez, depois de muito tempo.
Era um colar de pérolas pequeninas e delicadas. O marfim de sua cor quase enegrecia contrastando com a brancura de uma rosa branca que a enfeitava. Femininamente lindo, singelamente puro. Ela não pôde resistir. Sorriu, um sorriso naturalmente de seus recém dezessete anos.
— Obrigada.
E sua voz se calou pelo resto do dia.
Contudo, depois daquela milagrosa manifestação de tímida alegria, Toshi não desistiu. Continuava a perguntar, todos os dias, como ela estava. Perguntava-lhe coisas triviais, da escola, de casa, comida, música, qualquer coisa que lhe viesse à cabeça. Todos os dias recebia acenos com a cabeça, sorrisos pelo canto da boca, sinais de desinteresse.
Se chegava a desenhar alguma palavra, esta era um agradecimento quando o moço lhe dava um rosa branca. Suas preferidas.
— É a minha preferida também — chegou um dia a dizer.
— Por que? — ele tentou.
— Porque se pode pintá-la da cor que se quiser. Pode-se usar a imaginação.
— Você gosta de usar a imaginação? Você escreve, desenha, pinta —
— Eu pinto.
— Quadros?
— Meus cabelos.
Toshi dissimulou uma risada fina pelo canto da boca.
— É triste ver como eles vão perdendo a cor... — emendou, passando os dedos por entre suas madeixas cor de core, não mais vermelhas.
— É como se perdessem a vida, não é?
O olhar da menina, antes direcionado para o chão, agora se concentrava em fita-lo. Parecia profundamente mais negro do que o normal. Eram sombrios. E tristes.
— Agora, quando você o tingir, lhe dará vida de novo! — ele sorriu — E vai ficar bela como an —
— Ninguém neste mundo é capaz de criar vida. Um ser morre para permitir o nascimento de um novo. A vida e a morte andam de mãos dadas. Essa é a regra da natureza.
Um arrepio correu-lhe a espinha. Respirou fundo.
— Kazuo não morreu, Yoko. Não fique pensando nessas coisas.
E então, como se aquele diálogo não tivesse sido processado por seu cérebro, ela se calou. Voltou a abaixar o olhar.
— Eu sei que não posso substituí-lo, mas...
Scream without raising you voice
Iki wo koroshite mitsumeru
Grite sem elevar sua voz
Segure sua respiração e olhe fixamente
— Eu quero te ver feliz, Yoko. Quero te ver viva. Deixe-me fazer parte de você. Eu... eu... — segurou o fôlego e falou tudo em uma única ininteligível vez — eu-te-amo-muito.
Ela sorriu um sorriso tímido. Cruel.
quarta-feira, 21 de março de 2007
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